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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O seu corpo fala na hora da entrevista


Por Clarissa Janini 

Conheça o certo e o errado da linguagem corporal e não envie nenhuma mensagem errada ao seu entrevistador
Mais do que palavras, gestos e sinais podem revelar os verdadeiros sentimentos e sensações de uma pessoa quando interage com os outros - se está à vontade ou não, se está dizendo a verdade ou não, etc. Durante a entrevista de emprego, mais do que nunca, é importante estar atento a todos os seus movimentos corporais e expressões faciais para transmitir uma boa impressão ao entrevistador. É bom lembrar que os recrutadores são treinados para detectar e captar os mínimos detalhes de suas atitudes - positivas ou não. O importante, no final das contas, é transparecer que está seguro e preparado para enfrentar a situação. Para não escorregar, siga as dicas de Priscila Mendes, especialista em entrevista do Empregos.com.br e consultora do Hay Group Brasil.

Equívocos mais comuns e que devem ser evitados na hora da entrevista: 

Braços cruzados - Essa atitude revela descontentamento e falta de conexão com o outro. Em outras palavras, fecha o canal de comunicação entre você e o recrutador - e isso vale também para pernas e mãos. 
Segurar bolsa ou caneta - Qualquer objeto que você estiver segurando durante a entrevista estará servindo como um "amuleto da sorte", o que, para o selecionador, irá demonstrar insegurança. 
Olhar para baixo - Não olhar nos olhos do entrevistador é o erro mais freqüente dos candidatos. Deixar de encará-lo pode revelar medo e falta de confiança. 
Sentar-se na beirada da cadeira - Indica desconforto e vontade de ir embora o mais rápido possível. Não é a impressão que você deseja passar para o empregador, certo? 
Mexer braços e pernas em demasia - É uma resposta natural do corpo quando se está nervoso e ansioso. Evite, também, "tiques" e "cacuetes", como passar a mão a toda hora no cabelo. Por outro lado, ficar totalmente estático não é a melhor opção. Você é um produto que tem vida.





Soluções que devem ser aplicadas:

Sente-se no encosto da cadeira e incline-se um pouco para frente - Você se sentirá automaticamente mais seguro e relaxado. Inclinar-se para frente irá demonstrar ao selecionador uma atitude positiva com o momento.
Repouse os braços no apoio da cadeira - Isso evitará que você cometa os erros descritos acima. Se a cadeira não possuir apoio, é só pousar as mãos sobre as pernas - sem cruzar os braços, claro.
Olhe nos olhos do entrevistador - Ao encará-lo de frente, você transmitirá confiança e criará empatia. Outra dica é movimentar a cabeça e a sobrancelha de forma a mostrar que você está entusiasmado com a conversa.
Sintonia de movimentos - Procure sincronizar seus gestos e movimentos com os do selecionador - esta técnica, denominada "rapport", ajuda a criar maior sinergia e envolvimento com o outro.

Dicas especiais antes da entrevista - Se você for tímido e estiver muito ansioso para a entrevista, procure se alongar momentos antes de conversar com o recrutador. "Se não estiver se sentindo confortável, vá ao banheiro e faça um alongamento", diz Priscila. Controlar a respiração também é um ótimo recurso para ficar mais relaxado.

Fonte: Empregos.com.br

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O desemprego não entra no currículo

Max Gehringer
O que se deve fazer quando há lacunas no currículo? Passei por três períodos recentes de inatividade profissional, que somam oito meses.
O propósito de um currículo é mostrar as diversas atividades profissionais exercidas através dos anos, e não explicar a falta delas. Do ponto de vista de quem avalia o currículo, há frases que só geram dúvidas (por exemplo, “fiquei três meses afastado por motivos médicos”), há situações compreensíveis, como o desemprego puro e simples ou uma pausa para estudar para um concurso público, e há razões que podem ser francamente assustadoras para um futuro empregador, como um afastamento para tratamento psiquiátrico. O mais recomendável é deixar esses períodos de inatividade em branco e esclarecer os motivos depois, em uma entrevista pessoal. Poderá não ser fácil, dependendo da situação, mas será mais plausível que tentar criar uma frase capaz de transformar uma verdade inconveniente em uma experiência útil.
Estou há nove anos na mesma função e na mesma empresa. Não vejo perspectivas de mudança, mas tenho receio de me arriscar e perder a relativa estabilidade que consegui.
Sua preocupação é válida. Sugiro não se cadastrar em sites de empregos nem enviar currículos para quem você não conhece. Procure opções por meio de conhecidos, que lhe darão referências seguras sobre o ambiente das empresas em que eles trabalham. Quem passa quase dez anos em um mesmo lugar, fazendo o mesmo trabalho, sofre certa “síndrome do estranhamento” quando muda de emprego. Você está receoso porque teme perder não apenas a estabilidade, mas também o tipo de tratamento a que já está acostumado. A melhor alternativa é partir para um ambiente de trabalho semelhante ao atual, mas em uma empresa que ofereça mais oportunidades.
Meu diretor contratou um amigo para ser assistente direto dele e disse que eu ficaria subordinado a esse amigo. Como eu me reportava ao diretor, sinto-me rebaixado.
A dúvida é se a entrada do amigo foi apenas por amizade ou foi porque o diretor precisava de alguém nessa função e não viu em você as condições para ocupá-la. Minha sugestão: aguarde antes de se rebelar. Em um primeiro momento, o diretor não fez nada ilegal. E, até que surjam evidências em contrário, também não fez nada imoral.
Tenho apenas o ensino médio, mas consegui atingir um cargo gerencial em minha empresa, a única de minha carreira e na qual passei 16 anos. Descontente com meu salário, fiz um acordo e saí, pensando que não seria difícil me recolocar. Está sendo. Por falta de curso superior, nem consigo ser entrevistado. Qual seria a solução?
A mais rápida, embora não imediata, é você começar um curso superior de dois anos, o de tecnólogo. É bem possível que a opinião dos recrutadores já fique mais amenizada pelo fato de você estar estudando. Mas, mesmo supondo que você consiga um emprego, não deixe de fazer o curso. Se você já percebeu que faz falta agora, esteja certo de que fará muito mais falta no futuro.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Para começar os trabalhos do ano de 2012 nada melhor que Max Gheringer...



Comentário de MAX GHERINGER - RÁDIO CBN, falando sobre o mercado de trabalho

Existem muitos gurus que sabem dar respostas criativas às grandes questões sobre o mercado de trabalho. Aqui vai um pequeno resumo da entrevista com o famoso Reynold Remhn:

Primeira pergunta: Ainda é possível ser feliz num mundo tão competitivo?

Resposta: Quanto mais conhecimento conseguimos acumular, mais entendemos que ainda falta muito para aprendermos. É por isso que sofremos.  Trabalhar em excesso é como perseguir o vento.
A felicidade só existe para quem souber aproveitar agora os frutos do seu trabalho

Segunda pergunta: O profissional do futuro será um individualista?

Resposta: Pelo contrário. O azar será de quem ficar sozinho, porque se cair, não terá ninguém para ajudá-lo a levantar-se.

Terceira pergunta: Que conselho o Sr dá aos jovens que estão entrando no mercado de trabalho?

Resposta: É melhor ser criticado pelos sábios do que ser elogiado pelos insensatos. Elogios vazios são como gravetos atirados em uma fogueira.

Quarta pergunta: E para os funcionários que tem Chefes centralizadores e perversos?

Reposta: Muitas vezes os justos são tratados pela cartilha dos injustos, mas isso passa. Por mais poderoso que alguém pareça ser, essa pessoa ainda será incapaz de dominar a própria respiração.

Quinta e última pergunta: O que é exatamente sucesso?

Resposta: É o sono gostoso. Se a fartura do rico não o deixa dormir, ele estará acumulando, ao mesmo tempo, sua riqueza e sua desgraça.

Belas e sábias respostas.
Eu só queria me desculpar pelo fato de que não existe nenhum Reynold Remhn. Eu o inventei.
Todas as respostas, embora extremamente atuais foram retiradas de um livro escrito há 2.300 anos: o ECLESIASTES, do Velho Testamento. Mas, se eu digo isso logo no começo, muita gente, talvez, nem tivesse interesse em continuar ouvindo.
 
Fonte: Rádio CBN

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cursos de férias pode ser uma boa chance para aprender novo idioma


Vitor Tavares Do G1 PE

Janeiro, para muita gente, é o mês das férias, do tempo livre. Isso serve tanto para estudantes, com o recesso das aulas, como para trabalhadores, que muitas vezes elegem o mês para descansar ou viajar. Mas o primeiro mês do ano também pode ser uma ótima oportunidade para quem quer investir em estudo, conhecendo ou se aperfeiçoando em outro idioma. No Recife, diversos cursos de férias são oferecidos por escolas de idiomas para iniciantes ou para pessoas que já tenham conhecimento em línguas estrangeiras.

A fisioterapeuta Maíra Florentino é uma dessas pessoas que escolheram um mês de férias para fazer o curso. Ela, que tem 29 anos, decidiu, aos 13, deixar de lado o inglês da escola regular para seguir o caminho do espanhol. Porém, com pretensões de fazer um doutorado em sua área, acabou percebendo a necessidade de voltar a aprender a língua do Reino Unido. Em julho passado, Maíra reservou duas horas e meia, durante quatro dias da semana, para sair da Cidade Universitária, onde mora, e ir para um curso de inglês no bairro da Madalena. Ela diz que não se arrependeu. “Você vivencia o inglês todos os dias. Não tem tempo para esquecer e acaba se aperfeiçoando. Como o intensivo é rápido, consegui agregar melhor. Você está ouvindo todos os dias, falando todos os dias, pronunciando todos os dias”, afirmou.

Maíra, que não gostava da língua inglesa, hoje continua no curso regular do idioma, com aulas duas vezes por semana, e já tem pretensões de viajar para o Canadá para se aperfeiçoar. Para janeiro próximo, outro curso de férias já está nos seus planos. “Quando você tem aulas diariamente, se força a estudar. Como são seis meses condensados no espaço de um mês, os assuntos vão ser dados rapidamente e você tem que pegar, porque no outro dia já vai ser outro. Mesmo que não tenha tempo em casa para estudar, quando o professor der o novo assunto você consegue se lembrar do que foi dado antes”, opinou.

Apesar de achar cansativo, por sempre ter coisas a fazer mesmo em meses de férias, a fisioterapeuta gosta de frequentar as aulas hoje em dia. E ela credita isso ao fato de ter evoluído bastante. “Para quem tinha um inglês básico, hoje eu já consigo elaborar frases e, sobretudo, compreender o que as pessoas estão falando. A questão da escrita é mais complicada, pois precisa de mais treinamento”, reforça. Maíra pretender terminar o curso de inglês em 2013 e iniciar as aulas de francês em breve.

Os cursos de férias na capital pernambucana duram boa parte do mês de janeiro e oferecem aulas pelo menos quatro vezes na semana. Na unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) localizada no bairro de Santo Amaro, por exemplo, os interessados em viajar para o exterior podem aprender espanhol, francês e inglês focados para o turismo. O Senac ainda oferece curso sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Particulares, a Aliança Francesa e o Britanic oferecem aulas nos períodos da manhã, tarde ou noite. A escola Yázigi ainda tem programação para crianças de até 12 anos e cursos focados em conversação.

Confira a programação de cursos de férias em algumas escolas do Grande Recife:
Britanic (Unidades em Boa Viagem, Aflitos, Madalena, Piedade e Setúbal)
De 3 a 26 de janeiro
Aulas de segunda a quinta (2 horas e meia por dia, manhã, tarde ou noite)
Iniciante até avançado (Inglês e espanhol)
Informações: 3228-1250

Aliança Francesa (Unidades em Boa Viagem e no Derby)
De 2 a 26 de janeiro
Aulas de segunda a sexta (3 horas por dia, manhã, tarde ou noite)
Iniciante até avançado (francês)
Informações: 3202-6262

Senac (Unidade Santo Amaro)
De 4 a 20 de janeiro
Aulas de segunda a sexta (3 horas por dia, manhã, tarde ou noite)
Inglês para turismo, espanhol e francês para viagem ou Libras
Informações: 3413.6694

Yázigi (Unidades em Boa Viagem, Casa Forte, Olinda e Aflitos)
De 9 a 31 de janeiro
Iniciantes (Inglês, francês e espanhol), crianças (inglês), conversação para iniciantes até avançado (Inglês)
Informações: 3301-4222 / 3301-6324

Fonte: G1 PE

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Como aprender (de fato) um idioma na internet

O cardápio de cursos de línguas na rede é amplo e variado. Há desde blogs com acesso franco e redes sociais que cobram taxas até sites de escolas conhecidas. Antes de fazer sua escolha, é preciso checar itens essenciais:

Mediador
Ter alguém para corrigir exercícios e apontar erros de pronúncia faz toda a diferença. Nem todos os sites, especialmente os gratuitos, oferecem essa alternativa. Fuja dos cursos sem mediador e, se puder, escolha os que têm professores graduados e fluentes.
 
Material didático
A grande vantagem do ensino na rede é a interatividade. Por isso, quanto mais variados o conteúdo e o formato, maiores o envolvimento e atenção do aluno. Nos melhores cursos, há conversas por canais como o Skype, exercícios combinados a vídeos e jogos.


 
Método
No ambiente virtual, o foco é a conversação, e não a gramática. Mas os vídeos e áudios não podem saturar o aluno. O ideal é que a complexidade dos diálogos aumente gradativamente, e que eles sejam combinados a exercícios que fixem pelo manos o essencial da gramática.




Avaliação
A sensação de evolução é um importante estímulo para o aprendizado. Recomenda-se, portanto, que o site possua um sistema de pontos ou fases para que o próprio aluno possa medir quanto já aprendeu e quanto ainda falta para atingir o nível desejado de proficiência.



Sites com conteúdo em português:
www.berlitz.com

Fonte: Revista Veja - Vida Digital 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Profissional deve ter cuidados com a troca de e-mails no ambiente de trabalho; veja dicas

Bruna Souza Cruz

Pense na seguinte situação: um funcionário da área comercial está prestes a fechar contrato para oferecer serviços de um curso de gramática, porém envia a proposta por e-mail com diversos erros de português. Resultado da saia justa: o futuro cliente desiste da contratação e a empresa acaba prejudicada.

O exemplo dado por Reinaldo Passadori, diretor do Instituto Passadori - Educação Corporativa, representa a falta de cuidado que o profissional teve ao trocar informações via e-mail no ambiente de trabalho.

Segundo o executivo, o e-mail é a representação do profissional na internet e qualquer deslize pode ser prejudicial. "É preciso ter atenção redobrada em relação ao bom entendimento da mensagem que se quer passar. No contexto corporativo, um erro pode comprometer não só a imagem do profissional, como a da empresa”, ressalta.

Tom Coelho, consultor e palestrante de assuntos ligados ao mercado de trabalho, alerta que a objetividade, a organização da mensagem, sua coerência e ortografia são pontos de atenção fundamentais para uma comunicação virtual eficaz.

E para evitar que erros e a falta de atenção resultem em saias justas e situações constrangedoras confira cinco dicas para usar o e-mail com bom senso e organização:

Dicas

Responda as mensagens com rapidez;
Programe sua assinatura automática em todas as respostas e encaminhamentos;
Ao final do dia exclua as mensagens sem importância e arquive as demais em pastas previamente definidas;
Utilize o recurso de “confirmação de leitura” somente quando necessário;
Evite mensagens do tipo “corrente”.

Assinatura
Nunca deixe de assinar suas mensagens. E na assinatura, inclua telefone de contato apenas se estiver permanentemente disponível. Do contrário, mencione apenas o e-mail. 

Assunto
O campo "assunto" ou "subject" é uma boa ferramenta para gerenciamento do tempo. Seu bom uso permitirá que a mensagem seja acessada mais rapidamente, respondida com prioridade e arquivada adequadamente. Mas cuidado, isso não significa que você deva fazer deste campo uma extensão do e-mail, com um texto muito amplo. Seja objetivo, sintético e preciso.

Destinatários
Antes de enviar o e-mail analise para quem de fato é destinada a mensagem. A falta de atenção pode resultar em postagens incorretas.


Erros ortográficos/coerência
Esse tipo de erro denuncia a falta de preparo dos profissionais. Revise sempre a mensagem e utilize o corretor ortográfico para evitar saias justas.Antes de escrever um e-mail é preciso pensar em cada palavra e ter toda uma preocupação em transmitir a mensagem corretamente. Por isso, é importante também a revisão. O ideal é ler duas, três vezes para se certificar que está tudo claro.

Fofocas
O e-mail não é o local adequado para uma conversa informal. Evite fofocas sobre terceiros, em especial, colegas de trabalho. Primeiro, por uma questão de ética profissional e bom senso. Segundo, porque se a mensagem for lida por outra pessoa, não haverá o que temer.

Fontes
Use uma fonte amigável, de fácil leitura, como arial, verdana, tahoma, trebuchet. Além disso, trabalhe com um corpo de letra entre 10 (mínimo) e 14 (máximo).

Gírias, palavras inteiras com letras maiúsculas, palavrões
As gírias são formas de falar, não são necessariamente erros, mas em situações formais devem ser evitadas. O uso de palavras inteiras com letras maiúsculas também se deve evitar, pois pode ser decodificado como uma agressão. O mesmo deve ser empregado para palavrões.

Não escreva e-mails quando estiver emocionalmente abalado
Se o profissional estiver irritado, por exemplo, ele pode enviar ou responder um determinado e-mail de forma inadequada, de maneira grosseira. Essa situação pode causar constrangimentos futuros e por isso deve ser fazer o possível para não cometer esse erro.

Objetividade
É importante zelar sempre pela objetividade. Procure organizar seu e-mail por tópicos a fim de contemplar todos os assuntos pretendidos. E lembre, a mensagem precisa ter necessariamente um começo, meio e fim.
 
Organização
Evite ficar com mensagens paradas em sua caixa de entrada. Crie o hábito de encerrar o dia de trabalho com ela vazia. Se algo ficar pendente, transfira para uma pasta específica, a qual deverá ser tratada já na manhã seguinte. Não utilize esta pasta de pendências como uma muleta para prorrogar o retorno dos e-mails.

Lado pessoal e profissional
Não use as ferramentas que a empresa disponibiliza para tratar de assuntos particulares. A qualquer momento o profissional pode ser fiscalizado. O ideal é habilitar um e-mail pessoal para essa finalidade.

Ilustrações: Stefan
Fonte: UOL Empregos

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Trainees: Programas querem atrair candidatos mais ecléticos

Stefan Schmeling - Valor

Escassez de talentos faz empresas aceitarem jovens com formações diferentes das tradicionais.

Durante o curso de ciências sociais, Bruno Bidóia constatou que sua formação o excluia da maior parte dos programas de trainee, até que encontrou uma vaga na Natura.

Tradicionais redutos de engenheiros, administradores e economistas, os programas de trainee têm diversificado cada vez mais seus processos de seleção. A escassez de mão de obra no mercado tem feito muitas companhias reverem suas prioridades e reduzirem as exigências em relação à formação acadêmica dos candidatos.

Um levantamento realizado pela Cia de Talentos revela que 80% das empresas recebem inscrições de jovens com formação em alguns cursos além de administração, economia e engenharias. Embora, poucas aceitem candidatos com qualquer graduação, o mercado aos poucos está mudando. Há três anos, a Cia de Talentos conduzia apenas um programa que permitia a participação de jovens de todos os cursos superiores. Hoje são cinco, número que deve aumentar a partir do próximo ano. "O interesse das empresas em eliminar essa barreira na seleção é cada vez maior", diz Carla Esteves, diretora da consultoria.

Em 2009, a Natura reformulou o seu programa de trainee e fez, pela primeira vez, uma seleção aberta a candidatos provenientes de qualquer faculdade. Denise Asnis, gerente do escritório de liderança, explica que o principal objetivo foi atrair talentos com valores e perfis similares aos da organização.

Na seleção deste ano, nem mesmo a idade foi um impedimento - a única exigência era a de que os interessados estivessem graduados há, no máximo, quatro anos. A mudança, segundo Denise, trouxe boas surpresas: o processo atraiu trainees de diferentes formações e regiões do Brasil. "Acreditamos que é mais fácil formar aspectos técnicos do que valores. Dar um curso de informática ou de planejamento estratégico é muito mais simples e barato do que tentar inocular uma cultura", afirma.

A nova postura da Natura fez com que o então recém-formado em ciências sociais Bruno Bidóia se inscrevesse, pela primeira vez, em um programa de trainee. Ele faz parte desde o ano passado do time de jovens talentos da companhia e diz que, durante os estudos, não considerava esse tipo de programa como uma opção para iniciar a carreira. "Nem sabia o que era um trainee", admite. Acabou descobrindo do que se tratava em uma lista de e-mails da faculdade e começou a pesquisar alguns programas.

A decepção veio logo em seguida, quando o jovem percebeu que a maioria das seleções não aceitava estudantes de ciências sociais. "Descobri o trainee da Natura sem saber que era a empresa, já que na época eles não identificaram o nome. A proposta chamou a atenção e fiquei feliz quando vi que podia me candidatar", conta ele, que termina o programa no final deste ano.

Carla Esteves, da Cia de Talentos, explica que as empresas estão ampliando o leque de formações porque começam a enxergar a importância de ter profissionais mais "raros" no ambiente corporativo. "Elas estão percebendo a necessidade de ter um público interno diverso."
A gerente geral de recursos humanos e desenvolvimento organizacional da Whirlpool Latin America, Úrsula Angeli, acredita que não limitar a formação dos trainees tem um impacto positivo na inovação. "A estratégia é não buscar competências muito específicas, pois isso cria pensamentos limitados", afirma.

Desde 2004, a multinacional aceita inscrições de jovens formados em qualquer curso que esteja ligado ao negócio da companhia, desde engenharias até faculdades menos comuns nesse tipo de programa como gastronomia e arquitetura.

É o caso do especialista de mercado Raphael Coelho, que em 2009 entrou como trainee na Whirlpool. A graduação em relações internacionais não impediu que ele buscasse um programa na área corporativa, opção que estava em seus planos desde cedo. Adquiriu experiência gerencial e de vendas em atividades extracurriculares na faculdade. Chegou, inclusive, a morar na China por um ano atuando em projetos de marketing. "Ganhei bagagem e decidi prestar alguns programas de trainee, mas encontrei poucos que aceitavam a minha formação acadêmica", conta. Após a aprovação na Whirlpool, Coelho percebeu que o conhecimento adquirido na faculdade se tornou um diferencial no dia a dia de trabalho. "Aprendi muito sobre a parte administrativa e de gestão. Além disso, pude contribuir dando um ponto de vista diferente para a equipe", diz o ex-trainee, que já recebeu duas promoções desde o fim do curso.

Experiências como a de Coelho, porém, ainda não são comuns. A maioria dos candidatos que se inscreve para o programa da empresa, segundo Úrsula, é formada em cursos tradicionais. Mas a divulgação do processo seletivo em redes sociais como Twitter, Facebook e LinkedIn está atraindo pessoas com perfis diversos. "Estamos tendo acesso a pessoas que talvez nunca encontraríamos de outra forma."

As redes sociais também fazem parte da estratégia das Lojas Renner para democratizar o acesso de trainees ao seu programa, que aceita candidatos com qualquer formação desde 1996. Clarice Martins Costa, diretora de RH da rede varejista, explica que esse tipo de divulgação abriu o leque de interessados no curso: este ano são esperados 30 mil inscritos, ante 22 mil no ano passado. "Já recebemos currículos de gente com formação em filosofia e até zootecnia", diz.

O objetivo do programa, segundo ela, é encontrar candidatos que tenham perfis comportamentais ideais para o varejo. "O importante é termos pessoas com a atitude certa". O conteúdo técnico, de acordo com a diretora, é ministrado durante o curso de formação, que tem aulas teóricas e experiências práticas durante um ano. A seleção exige apenas que o candidato tenha até cinco anos de formado, disponibilidade para viagens e, em algumas áreas, inglês avançado.

Alguns conhecimentos especializados, segundo Carla Esteves, ainda são os principais limitadores para que as companhias abram totalmente os seus programas de trainee. "As empresas que não vão acompanhar essa tendência no médio prazo são aquelas em que a formação técnica é muito importante ou onde a profissão é regulamentada, como no caso dos advogados", diz. Por outro lado, a consultora diz que o mercado está tendo boas surpresas com essa diversidade. "É cada vez mais comum um profissional de turismo ou história trabalhar com finanças ou planejamento estratégico."

"Temos notado uma troca muito grande entre diferentes áreas. Hoje temos advogados e engenheiros no RH, além de pedagogos e economistas no marketing", exemplifica Denise, da Natura.