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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Como falar dos seus defeitos em uma entrevista de emprego


A pergunta que pode fazer a maioria dos candidatos gaguejar na hora da resposta pode ser a sua grande vantagem para conseguir a vaga de emprego e conquistar o recrutador

Crédito: Shutterstock.com
A chave para que você saiba como proceder é ser estratégico e confiante, já que ninguém é perfeito
 
Tudo está indo bem durante a entrevista de emprego. O recrutador parece satisfeito com suas respostas e você está confiante de que todas as horas de preparação e esforço começarão a valer à pena. Já consegue se visualizar na empresa e procura identificar qual seriam suas primeiras tarefas. Tudo está correndo bem. Até que aquela pergunta é feita. A pergunta que assusta muitos, talvez a maioria dos candidatos: "Qual é seu maior defeito?". Na tentativa de desviar a atenção de suas falhas, muitos optam pelo lugar-comum do “sou muito perfeccionista”. Mas você sabe que essa resposta não agrada nenhum entrevistador e, na realidade, não diz aquilo que ele realmente gostaria de saber.
 
Ninguém melhor para responder essa questão do que você mesmo. A chave para que você saiba como proceder quando algo do tipo surge durante o processo seletivo é ser estratégico e confiante, já que ninguém é perfeito. A honestidade será sua melhor ferramenta e irá mostrar tanto para o recrutador como para você mesmo que não há o que temer.
 
Imagine que a vaga está aberta para designers e você atinge todos os pré-requisitos que a empresa solicita. Mesmo sabendo que suas capacidades são aquilo que o entrevistador procura, você não sabe o que ou como falar sobre suas fraquezas, pois tem medo de passar a impressão errada sobre seu perfil. A sua fraqueza está em trabalhar com números, por exemplo. Você realmente fica perdido durante uma reunião sobre orçamentos. Acontece, porém, que você não está sendo contratado para trabalhar com finanças, mas sim pelo seu potencial como designer.
 
Entender esse exemplo é essencial para que você consiga responder a essa questão durante uma entrevista. Dê ao entrevistador um defeito seu que não irá comprometer sua candidatura ao emprego, muito menos o trabalho que irá realizar se for contratado.
 
 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Empresas procuram profissionais com habilidades diferentes das gerações anteriores.



Mariana Niederauer - Correio Braziliense

O mundo mudou, mas as escolas continuam as mesmas. Os trabalhadores que elas ajudam a formar, portanto, saem despreparados para atender as exigências do mercado. Os movimentos repetitivos característicos do modelo fordista de produção deram lugar a ocupações que necessitam de funcionários capazes de ir além das tarefas cotidianas e tragam inovação para as empresas. Entre as competências buscadas, estão as capacidades de trabalhar em equipe e de lidar com a tecnologia, e até mesmo habilidades básicas de leitura, escrita e raciocínio lógico (veja o quadro).

Países em todos os continentes estão em busca de um caminho para garantir o desenvolvimento dessas habilidades desde a primeira infância, durante a educação básica e ao longo da vida profissional. Na última semana, Brasília sediou um seminário que discutiu o tema. O Pisa e Piaac:melhores competências, melhores empregos apresentou resultados de dois estudos internacionais promovidos pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (ODCE) para mostrar o desempenho em educação de algumas das nações que participam da organização e como ele tem impacto nas competências dos trabalhadores (veja o gráfico).

Um dos documentos que serviu de base para o evento deixou claro que, sem o investimento adequado em competências, as pessoas permanecem às margens da sociedade, e o progresso tecnológico não se traduz em crescimento econômico. Dessa forma, os países não têm condições de competir no mercado global. A saída apontada é a restruturação dos currículos escolares, de maneira a contextualizar melhor o conteúdo ensinado e adaptá-lo ao que os estudantes realmente vão precisar saber para entrar no mercado de trabalho.

Apesar de o Brasil não ter participado da Pesquisa de Competências de Adultos (Piaac, na sigla em inglês), o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, José Francisco Soares, acredita que o fato de o evento ter ocorrido em Brasília ajudou a acender o debate aqui e em toda a América Latina — dos 24 países avaliados no estudo, nenhum representa o continente. “O estudo mostra a experiência de alguns países que estão na liderança e que recebem uma geração menos preparada para o mercado de trabalho”, disse, no fim do evento. Soares explicou que, se o governo optar por participar das próximas edições da pesquisa, será necessário um esforço conjunto e que, além do Inep, órgãos como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) devem participar da coleta de dados.

Engajamento
Para Lígia Pereira, vice-presidente de Relações com Organizações Privadas da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Distrito Federal (ABRH-DF), o que as organizações precisam hoje é de pessoas capazes de resolver problemas. Além disso, eles precisam ser trabalhadores globais, que olhem as coisas de forma mais ampla, entendam a tecnologia e dominem outros idiomas — requisito necessário em razão das constantes internacionalizações e aquisições de empresas. “O mundo mudou, e nós temos que acompanhar essas mudanças. Alguns países estão em níveis muito mais avançados do que nós. Eles se planejaram melhor, conseguiram ver esse problema com antecipação e estão mais preparados para enfrentá-lo. Nós esperamos pelo crescimento do país, mas nunca nos preparamos para ele, e, agora, estamos correndo atrás.”

A dificuldade em encontrar esse tipo de profissional faz com que muitas empresas invistam, cada vez mais, em capacitação. “Mas as pessoas ainda se prendem muito ao descritivo do cargo, o que limita não somente a empresa, mas também a carreira do profissional, o que é mais preocupante. Elas não entendem a relação com a empresa como uma parceria: à medida que eu contribuo, eu tenho crescimento”, explica. Do lado das empresas, a especialista acredita que falta ainda mais empenho na qualificação dos funcionários, principalmente em Brasília.
 Atualmente, ele é gerente comercial na fabricante de bebidas Ambev
e busca nos funcionários que contrata e que lidera as mesmas habilidades
 que desenvolveu ao longo da trajetória profissional

Foi durante a participação no programa de trainee da empresa em que trabalha que Gerson Menandro Júnior, 32 anos, adquiriu uma das principais competências da carreira: a proatividade. A liberdade para fazer as tarefas, o estímulo a assumir riscos e o exemplo dos líderes com que trabalhou foram fatores determinantes para o crescimento na organização, segundo ele. “Tem líderes nos quais eu me espelho até hoje”, conta.

Atualmente, ele é gerente comercial na fabricante de bebidas Ambev e busca nos funcionários que contrata e que lidera as mesmas habilidades que desenvolveu ao longo da trajetória profissional, como liderança, capacidade de negociação, trabalho em equipe, flexibilidade e capacidade de solucionar problemas.

Educação básica
O diretor Educacional do Instituto Presbiteriano Mackenzie, Solano Portela, afirma que a educação básica no Brasil tem dado pouca ênfase às habilidades básicas — matemática, português e uma visão global das ciências. “Sem esse alicerce, o desempenho funcional será deficiente, independentemente da área de atuação ou de quão nova for a profissão a ser exercida”, atesta. Por outro lado, ele acredita que as escolas têm respondido adequadamente à formação de cidadãos conscientes, envolvendo os alunos em projetos que entrelaçam as diversas áreas do saber.

A principal crítica do especialista é com relação às diretrizes governamentais. Na opinião dele, o currículo obrigatório da educação básica está cada vez mais saturado, o que tem sacrificado o ensino das competências básicas e afetado o desempenho do país em avaliações como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês). “Para suprir o mercado de trabalho, devemos conservar um olho no futuro, mas voltar às bases do aprendizado.”

Durante apresentação no seminário, o diretor adjunto de Educação da OCDE, Andreas Schleicher, reuniu dados do Pisa que mostram que o investimento em educação no Brasil tem crescido significativamente nos últimos anos e que, por enquanto, isso tem sido suficiente para garantir melhorias ao ensino do país. No entanto, ele lembrou que, em alguns anos, só o dinheiro não será mais suficiente e será preciso pensar em outra solução. Um dos passos mais importantes, segundo Andreas, não só para o Brasil como para todos os países, é ter coerência entre políticas públicas e práticas de ensino e garantir que o se faz hoje se ajustará às demandas do futuro.

Mariano Jabanero, diretor de Educação da Fundação Santillana, uma das organizadoras do seminário, defende que a escola supere o modelo clássico de ensino e mude o currículo. “O maior esforço que temos de fazer agora é passar de um modelo de memorização para um modelo de saber fazer”, diz. Isso significa dar sentido ao conhecimento transmitido na escola e essa, segundo ele, é uma agenda mundial.

O que as empresas buscam


Confira quais são as habilidades cognitivas e não cognitivas mais valorizadas no mercado de trabalho


Leitura e raciocínio lógico

Essas são as duas habilidades cognitivas que vão contribuir para todo o conhecimento posterior. Quem não as tem encontrará dificuldades para conseguir emprego. O trabalhador precisa saber ler e interpretar textos e ter habilidade de resolver problemas, desenvolvida por meio do raciocínio lógico.

Proatividade

As empresas valorizam profissionais que mostram engajamento e ultrapassam as funções definidas pelo cargo. Quando veem uma oportunidade, essas pessoas correm atrás e a apresentam ao empregador, mesmo que não esteja dentro da obrigação delas.

Trabalho em equipe

Há uma necessidade de pessoas que mantenham relacionamentos reais, e não somente virtuais, com os colegas e com grupo o trabalho. Esses profissionais têm de ser tolerantes e amáveis. O mercado quer extroversão com respeito, e não introversão com individualismo desagregador.

Condutas, atitudes e valores

À medida que as exigências do mercado aumentam, se torna mais importante desenvolver característica de caráter, tanto aquelas ligadas ao desempenho, como adaptabilidade, persistência e resiliência, quanto as ligadas à moral — integridade, justiça e ética.

Competências do século 21

São habilidades de alto nível, essenciais para absorver conhecimentos e para o desempenho no trabalho. Podem ser resumidas em quatro “C”: criatividade, comunicação, colaboração e crítica (pensamento crítico).

Visão sistêmica

Está cada vez mais comum o uso do termo trabalhador global, pessoas que estejam sempre atentas a mudanças no mercado e na sociedade e que se envolvem em todas essas esferas. É importante ainda desenvolver a visão sistêmica dentro da empresa e saber se relacionar com as diversas áreas do negócio.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Cuidado com o que você fala no trabalho

Augusto Freitas

Frases que você solta por estar chateado, cansado ou com problemas pessoais podem ser as tais "pérolas" que colocarão a perder sua trajetória profissional.

Para Winston Leibon, é preciso saber separar vida particular da profissional. Foto: Maria Eduarda Bione/Esp.DP/D.A Press                                                                                                                                              
Preste atenção nestas frases: “Ele pensa que eu vou fazer tudo o que ele quer”, “Ela acha que eu não penso”, “Esse não é meu trabalho” e “Odeio essa empresa”. Comuns, não? Tão corriqueiras ao ponto de, ao ler este texto, fazer você realizar um exame de consciência sobre suas reações no local onde talvez passe mais tempo na vida, até mesmo mais do que em casa: o trabalho. Parou para pensar?

Não é algo do outro mundo. Tem dias que você está com problemas, estressado, aborrecido, cansado. Sobra para o chefe e os colegas de ofício escutar “pérolas” que em nada acrescentam à sua trajetória profissional. E acredite, mesmo sendo uma peça fundamental no seu trabalho, com vasto currículo e experiência, você não é inubstituível. Traduzindo, língua afiada pode ser a sua porta de saída.

O administrador de rede Winston Leibon, 42, trabalha diretamente com uma equipe de oito funcionários em uma empresa de seguros, há 13 anos. Humores distintos, gênios diferentes, formação profissional variada. Lidar com a carga elevada de emoções, tarefas a cumprir e metas a bater é complicado. Vez por outra, frases extremamente prejudiciais à harmonia do time vêm à tona.

Mas o que causa a instabilidade? “Quem se conhece há muito tempo, mesmo no trabalho, às vezes tem a impressão de que tem mais direito sobre o colega”, opina Leibon. É preciso ter cuidado e evitar, ao menos no expediente, misturar vida particular e profissional. “Até a diferença no nível de conhecimento pode atrapalhar as relações e os comentários impensados tornam-se perigosos à carreira”, pondera.

O problema, segundo especialistas do setor de recursos humanos, é que parte dos conceitos empresariais mudaram. Não são os mesmos, por exemplo, de 20 anos atrás. Além disso, o principal, você, funcionário, também mudou. Faz parte de uma geração conectada, rápida, bombardeada de informação e sedenta por um lugar mais alto no pódio profissional.

Com 24 anos de experiência na área de recursos humanos, o consultor e analista Jairo Martiniano conhece bem o caminho das pedras. Ele foi estagiário na antiga loja de departamentos Mesbla, até subir de posto e, anos mais tarde, abrir sua própria consultoria. Para Jairo, mesmo nos tempos atuais, as pessoas ainda têm a falsa ideia de que são insubstituíveis. Não são.

“O mercado de um modo geral é carente de profissionais capacitados, respeitando as exceções, e as empresas acabam ficando reféns de empregados que têm mais dificuldades em cumprir regras de conduta”, explica o consultor. De acordo com Jairo, no caso de uma troca de funcionário, quem chega geralmente tem o mesmo nível de produtividade de quem saiu. A torcida é que tenha controle diferente.

Causas e soluções

Cada cabeça é um mundo. Você já deve ter escutado esta frase alguma vez na vida. Vale para o trabalho também. Até porque todos têm problemas, não são imunes a instabilidades emocionais. Estresse, crise conjugal, dívidas, doença na família, ansiedade por resultados, todos esses pontos podem ser vetores de mudança comportamental.

Em outras palavras, os problemas são descarregados em forma de palavras. E elas têm poder de destruir ou de somar. O segredo está na paciência e no fortalecimento da maturidade social. “É comum ocorrerem demissões por justa causa cuja razão é a frequência com que certas frases são ditas no ambiente de trabalho. De certo modo, é até fácil dizer que aquela não é sua função ou que você não tem tempo para ajudar naquela demanda. Mas essa postura tem um preço alto”, diz Jairo.

Quando o problema não é tratado, o resultado direto é a inconstância em empregos, que torna-se comum, ou seja, você não consegue manter a carreira estável, mesmo no emprego que sonhou. Pula de galho em galho. Aconselhamento profissional, mapeamento de comportamento e até mesmo terapia (em alguns casos) podem ajudar a manter o equilíbrio no ambiente corporativo. Lembre-se, equilíbrio, pois nenhum profissional ou emprego está livre de intempéries emocionais.

Foi o que ocorreu com a empresa de seguros onde Winston trabalha. “A empresa identificou que a presença de um profissional especializado em processos de mapeamento poderia auxiliar na solução de divergências. A rotatividade de funcionários caiu e hoje a troca de experiência ajuda na resolução dos problemas em equipe”, conta Winston. Contar até dez antes de soltar uma das “pérolas” que abriram este texto, pelo visto, pode ser um antídoto eficiente para evitar problemas mais graves no ambiente de trabalho. Agora é com você.

Frases mais comuns que prejudicam os profissionais
Frases que você deve evitar no ambiente de trabalho
situação
evite
Colega recebe aumento de salário; você, não
"Isso não é justo". Injustiças ocorrem todos os dias, inclusive no trabalho, e a frase não é desculpa para justificar o valor do seu contra-cheque. Não reclame o tempo todo e trabalhe com mais dedicação para ser reconhecido
Chefe/colega pede sua ajuda sobre alguma tarefa
"Isso não é problema meu" ou "Esse não é o meu trabalho" ou "Eu não sou pago para isso". Se lhe foi perguntado, é por que sua colaboração é importante para os resultados. Pondere se pode ajudar e não seja egoísta. Pergunte que tarefa deve deixar de lado para auxiliar na demanda
Incerteza de informação e risco de resolver demanda
"Eu acho que ...". "Achismos" não passam segurança e confiança a quem pergunta e espera por uma resposta clara e segura. Prefira expressões que mostram confiança e seja mais assertivo. Peça um prazo para checar a informação, caso não tenha certeza
Ajuda ao chefe/colega para resolver um problema sem valorização de si próprio
"Sem problema". A frase soa sem valor para quem agradece e uma situação relativamente fácil de ser resolvida. Seja educado, agradeça de forma correta e simples: "obrigado você"
Tempo e tarefas acumuladas
"Vou tentar", "Não tenho tempo agora" ou "estou muito ocupado". Para quem que lhe pede um auxílio ou determina uma atribuição, fica estranho e dá a impressão de fracasso. A confiança em você vai para o ralo. Seja sincero e, se não sabe, diga que vai aprender. Fale se precisar de ajuda
Aborrecimento com colega, problema sem solução e generalizar empresa
"Ele é um idiota", "Ela é preguiçosa", "Vocês são…" ou "Odeio essa empresa". Xingamentos e julgamentos são a porta de entrada para o fim de uma carreira. Revelam imaturidade e refletem negativamente. Exponha os argumentos de forma neutra sem atacar A ou B. Preze a organização
Maneiras de resolver problemas
"Nós sempre fizemos isso dessa maneira". As empresas valorizam inovação. Ser inflexível não conta pontos a seu favor. Compre a ideia e arrisque. Que tal dizer "essa é uma ideia interessante", "vamos ver como funciona" ou "vamos discutir os prós e os contras"?
Desconsiderar o problema e descartar soluções
"Isso é impossível" ou "não há nada que eu possa fazer". Não dá para ter certeza quando não se tenta, concorda? Pessimismo não combina com proativismo. Mostre as dificuldades reais e debata com os seus colegas e superiores como podem encontra uma solução em conjunto
Pré-julgamento de colega sobre uma demanda
"Você deveria ter" ou "você poderia ter". Coloque-se no lugar do outro e veja se gostaria de ser acusado de não tentar. Gerar sentimento de culpa só agrava o problema. Mantenha a harmonia. É mais coerente dizer "No futuro, eu recomendo…"
Ganhar tempo, diminuir custos ou otimizar o trabalho
"Posso estar errado, mas..." ou "Pode ser uma ideia idiota, mas...". Esses comentários reduzem a credibilidade e diminuem sua colaboração. Recomende de outra maneira, como "para reduzir os custos de viagem e elevar a eficiência, recomendo que reunião seja conduzida online"
Fontes: gestores de recursos humanos



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

As redes sociais corporativas ou internas fazem parte da rotina de trabalho.



Segundo o especialista Christian Barbosa, a proposta da rede social corporativa não representa ganho certo de produtividade, pois não substitui as redes sociais de relacionamento.

Correio Braziliense 

Checar páginas pessoais durante o horário de trabalho não contribui para a produtividade de ninguém. Mas e quando a proposta, em vez de postar piadinhas e mensagens de autoajuda, é compartilhar informações, experiências e conhecimentos adquiridos dentro da própria empresa? Assim funcionam as redes sociais corporativas.
Esses ambientes de colaboração profissional são desenvolvidos por empresas especializadas e, com leiaute e ferramentas semelhantes às das redes de relacionamento, garantem o acesso dos funcionários a informações de maneira rápida, simples e eficaz. Os usuários podem seguir uns aos outros, curtir publicações e fazer comentários. Também podem divulgar imagens, vídeos e documentos.

A Social Base, fornecedora de softwares e serviços de comunicação colaborativa, recebe cerca de 2 mil ligações mensais à procura do serviço. Segundo o diretor de Marketing da empresa, André Ribas, o interesse é alto porque as empresas tomaram consciência da importância de atender às necessidades de captação de informação dos funcionários. “Na rede social corporativa, a comunicação ocorre em via de mão dupla.

Os funcionários trocam conhecimento e acrescentam informações, diferentemente do painel estático da intranet”, afirma André. Como uma espécie de banco de dados interativo, a rede permite a troca de informações por meio da criação de grupos, fóruns e debates. Tudo o que é compartilhado fica guardado e pode ser acessado por qualquer funcionário a qualquer hora.

Produtividade

Segundo o especialista em administração de tempo e produtividade Christian Barbosa, a proposta da rede social corporativa não representa ganho certo de produtividade, pois não substitui as redes sociais de relacionamento. “Uma coisa é tentar melhorar a colaboração dos funcionários por meio do intercâmbio de conhecimento na rede corporativa, outra é reduzir o acesso às redes sociais”, afirma.

De acordo com ele, 84% das pessoas entram em redes sociais no horário de expediente, mas a solução para diminuir esse número não está nas redes sociais corporativas, pois a finalidade delas é profissional. Cada funcionário tem direito a um perfil com foto, informações curriculares e adicionais, que variam conforme a empresa, mas as interações ocorrem por interesses profissionais, não pessoais.

Os benefícios da inclusão da rede corporativa dependem do tipo de empresa e da situação organizacional. “Aquelas que trabalham com gestão do conhecimento obtêm grandes vantagens com a adesão da rede social interna, porque ela centraliza informações setorizadas”, afirma Christian Barbosa. É o caso da empresa de consultoria multinacional PwC, que utiliza a rede Spark. Do inglês “faísca”, ela é visitada mensalmente por 40% a 50% dos 5,3 mil funcionários brasileiros da companhia e possibilita disseminação de conhecimentos adquiridos no trabalho.

O gerente-sênior da PwC Brasília Hugo Teóphilo afirma que o trabalho ganha mais qualidade com o uso da rede social corporativa. “As pessoas entram para buscar informação ou compartilhar algo relativo ao trabalho. Não é uma distração, ao contrário: é um ganho de tempo e de conhecimento”, afirma. Há uma política de uso, mas a rede é regulada principalmente pelo bom senso dos funcionários.

Por abrigar ampla produção e difusão de conhecimento, a rede social corporativa se torna um ambiente propício à inovação. Nela, é possível testar ideias antes de aplicá-las. “É uma espécie de laboratório virtual”, afirma Teóphilo. De acordo com ele, a interação em tempo real facilita o contato com pessoas que têm expertise em determinado assunto e podem ajudar. “Às vezes, você está desenvolvendo um projeto sozinho na sala, mas, na realidade virtual, pessoas do outro canto do mundo interagem, compartilham trabalhos, pesquisas e podem até colaborar na elaboração do seu projeto”, comenta.
"Meu tempo de serviço nunca foi comprometido, 
porque a Spark não é uma rede de relacionamentos, 
mas um ambiente de trabalho e de pesquisa", diz




Renata Rocha, 23 anos, é consultora de pessoas e mudanças na PwC. Desde que entrou na empresa, participa da Spark e, segundo ela, a plataforma serve para auxiliar o trabalho, nunca o contrário. “Meu tempo de serviço nunca foi comprometido, porque a Spark não é uma rede de relacionamentos, mas um ambiente de trabalho e de pesquisa”, explica. A rede, que também conta com aplicativo para smartphone, é fácil de usar e contempla as necessidades profissionais de interação. “Ela é atraente. Não tem cara de intranet, e isso facilita e até estimula a participação”, conta.

Entenda as diferenças

Saiba quais são os objetivos e as características de cada tipo de rede

Redes sociais de relacionamento
» Características: públicas, com circulação de informações. Usuários interagem e modificam o conteúdo
» Acesso: livre
» Objetivos: entretenimento, relacionamento e comunicação (pessoal, profissional e institucional)

Redes sociais corporativas ou internas

» Características: privadas. Funcionários interagem e modificam o conteúdo
» Acesso: restrito a funcionários (outras pessoas interessadas nas ações da empresa — stakeholders — podem participar)
» Objetivos: troca de informações, experiências e conhecimentos relacionados à empresa e à integração dos funcionários

Intranet
» Características: privada e os funcionários não interferem no conteúdo. Não há interação
» Acesso: restrito a funcionários
» Objetivo: transmitir informações sobre a empresa.